Uma semana!
Não tem como começar esse post como qualquer outro. Esse mês foi muito difícil para toda a minha família, pois a quase um mês atrás a minha vó Angelina deu entrada mais uma vez no hospital com o cateter da hemodiálise infeccionado. Já tinha acontecido outras vezes e ela sempre voltava para nós. Ainda com as mesmas dores e dificuldades, mas em sã consciência, fazendo todas as coisinhas que ela gostava. Porém, há sete dias, ela nos deixou. Seu corpinho cansado não suportou toda a chuva de procedimentos invasivos que estava recebendo. Tenho certeza que se ela não estivesse tão cansada, ela teria lutado muito mais para estar aqui conosco, só que eu entendo a situação. Não gosto nenhum pouco, mas entendo e fico muito grata de ter sido neta dela. Ter vivido tantos anos ao seu lado, fazendo ela passar raiva, preocupação e depois de crescida, ela me ensinou a arte do fuxico. Muito bonito e que eu vou levar esse conhecimento por toda a minha vida. Fora fazer bordado, que foi outro artesanato que ela me ensinou e eu tenho muito orgulho de dizer isso. Foi graças a ela também que eu herdei o dom da arte manual. Eu tenho uma facilidade muito grande em fazer trabalhos de crochê, tricô e cadernos feitos a mão.
Mesmo assim, perdê-la não é nada fácil. Tudo na sua casa me lembra ela e doí saber que ela não está e nem vai estar mais lá. Uma hora a dor passa, mas por enquanto, ela ainda é muito presente. Eu sei que ela não ia gostar de me ver chorando, por isso, tento sempre manter um sorriso no rosto e uma atitude otimista, pois era o que ela fazia nos momentos de tristeza. Se ocupava das coisas que gostava e sempre estava sorrindo.
Vó, a senhora sempre vai ser uma verdade linda no meu coração de que eu sou uma pessoa capaz de mudar o que eu quiser. A senhora e o meu vô fizeram muito por mim e hoje vocês dois estão juntos de novo, olhando por cada um da sua prole que ficou. Temos a certeza de que a senhora vai se orgulhar de cada um de nós e eu não poderia ter vó melhor para mim. Obrigada pela sua vida, que através dela, eu recebi a minha. A senhora foi imortalidade em um dos meus livros. Espero que goste da singela homenagem.
Eu vivi 37 anos da minha vida com a senhora. Espero conseguir viver o restante dela sem a senhora. Nunca vou esquecer o bem que me fez, assim como nunca esqueci meu vô. Obrigada por tudo, Vó Angelina! Desculpa nunca ter dado o neto que a senhora tanto queria, mas as condições não são favoráveis para isso. Sinto muito, mesmo. Mas mesmo ele ou ela nunca tendo vindo ao mundo, eu amo do mesmo jeito no fundo do meu coração.
Até a próxima, vó!